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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Choque elétrico – Riscos, mitos e prevenção

A eletricidade não admite improvisações, ela não tem cheiro, não tem cor, não é quente nem fria. Ela é fatal.

O contato com eletricidade pode gerar acidentes pessoais graves, tanto pelo desconhecimento de seus princípios e perigos em leigos, como pelo excesso de confiança em profissionais habilitados.

*Choque Elétrico:

O choque elétrico é uma conseqüência da passagem da corrente elétrica pelo corpo humano, quando tocamos em algum elemento energizado e temos outro ponto de nosso corpo exposto ao terra (piso por exemplo).

Os efeitos desta corrente no corpo humano dependerão da corrente (e não da tensão).

Para termos uma idéia:

Correntes entre 10 mA e 20 mA podem causar uma sensação dolorosa;

Correntes maiores que 20 mA e menores que 100 mA causam dificuldades na respiração e pode causar morte por asfixia se não socorrido a tempo.

Correntes superiores a 100 mA matam.

A resistência do corpo humano varia de 1000 a 3000 ohms. Não gostaria aqui em aprofundarmos em detalhes matemáticos, mas uma simples conta nos permite concluir que o corpo desprotegido de qualquer proteção, em contato com uma tensão de 127 V, permite uma corrente de até 100 mA pelo corpo, ou seja, 5 vezes maior que a corrente que pode causar a morte.

Nossa sorte é que na maioria dos incidentes envolvendo choques elétricos, estamos calçados e secos, limitando a corrente.

O maior risco é quando estamos descalços e molhados. Neste caso o contato de nossa pele com o terra é praticamente sem resistência, aumentando em muito a corrente pelo corpo.

Outro risco sério de choque elétrico e muitas vezes desconsiderado são as descargas atmosféricas, ou raios. Quando estas ocorrem, mesmo que não caia em cima da pessoa, a descarga se espalha no piso até se neutralizar e se pessoas estiverem neste caminho, poderão sentir efeitos e até mesmo morrerem.

Então já podemos perceber que o assunto é muito sério e infelizmente há vários mitos e afirmações sem fundamentos relacionados à eletricidade e alguns gostaria de comentar.

Mito: Choque em tomada de 110v é menos sério que em 220v!

Falso: A empresa que distribui eletricidade em nossas residências nos coloca à disposição até três cabos energizados (que chamamos de fase) e um cabo aterrado (que chamamos de neutro).

Se ligarmos na tomada uma fase e neutro, teremos 127v, se ligarmos duas fases, teremos 220v.

A única maneira de estarmos expostos a um choque de 220v seria se pegássemos uma fase com uma das mãos e outra fase com a outra mão. Como isto é muito raro, normalmente o choque ocorre ao tocarmos uma das fases, mesmo em tomadas de 220v, o choque para a terra será sempre de 127v.

A grande diferença então é que em uma tomada de 220v, ambos os conectores causarão o choque e na tomada de 110v, apenas um causará o choque. Aqui ainda vale o alerta que em uma instalação residencial não corretamente executada, o neutro pode também causar o choque e as vezes em condições mais graves que a própria fase.

Mito: O choque gruda!

Falso: Um dos fenômenos que ocorre com nosso corpo ao sermos submetidos ao choque elétrico é a contração muscular.

Na realidade, ao tocarmos em um elemento energizado, os músculos da mão poderão ser contraídos e se estivermos segurando o elemento energizado, nossa mão irá fechar e nos prender ao elemento, dando a falsa ideia que o choque gruda.

Mito: Se você estiver usando bota de borracha você não leva choque.

Parcialmente falso: Isto é o mesmo que dizer se você estiver usando camisinha, não pega AIDS com uma agulha infectada.

A bota de borracha irá proteger contra a passagem da corrente elétrica para o terra pelos teus pés. Mas se alguma outra parte do teu corpo estiver em contato com o terra (os ombros tocando uma parede ou pilastra por exemplo) você está sujeito ao choque e possivelmente mais mortal pois a corrente poderá passar diretamente pelo coração.

De qualquer maneira, o uso da bota sempre e recomendado quando lidarmos com equipamentos energizados. Mas a bota deve estar em boas condições, sem furos ou rachaduras e também se não estiver encharcada interna e externamente.

Mito: Em locais com pára-raios próximos, podemos ficar expostos ao tempo sem problemas.

Falso: A proteção de um pára-raios é semelhante à um cone e protege ate uma distancia da metade de sua altura. Ou seja, um para-raios em uma altura de 20 metros, deixa de proteger a partir de 8, 10 metros.

Por isto, a maneira mais segura de se proteger contra os raios é quevocê buscar um abrigo protegido (nunca em baixo de arvores) até a tempestade parar. Lembre-se que não necessita estar chovendo para ter um raio, este pode existir mesmo antes de caírem as primeiras gotas.

Mesmo em áreas com proteção de pára-raios, é proibitivo se manter dentro de piscinas ou do mar durante o período com possibilidades de raios.

E não se preocupe em saber se o raio sobe ou desce, mas que ele mata!

Mito: Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar.

Falso: A incidência de raios na TORRE EIFEL na França é média de 50 vezes ao ano. No EMPIRE STATE nos USA é média de 40 descargas por ano. Apenas estas duas informações já desmentem o ditado popular.

Mito: É perigoso segurar objetos metálicos durante as tempestades.

Sim e não. Segurar objetos pequenos, como uma tesoura ou alicate, não provoca risco.

Entretanto, carregar um objeto metálico de maiores dimensões, ou até mesmo pá ou outra ferramenta metálica acima de sua cabeça e em um local descampado pode oferecer riscos.

Mito: Não há perigo no uso do telefone durante uma tempestade, se estivermos protegidos dentro de casa.

Falso: Durante uma tempestade devemos evitar não apenas o uso de telefones com fio, como qualquer equipamento elétrico com cabos conectados à rede. A descarga atmosférica na própria residência ou mesmo na fiação dos postes, apesar de suas proteções, pode ser propagada por todos os cabos na residência, incluindo tomadas, telefones com fio e chuveiro elétrico.

Mito: Podemos deixar cabos elétricos sobre um piso molhado sem perigo, se estes cabos forem isolados e sem emendas.

Falso: Infelizmente esta é a causa da maioria dos acidentes graves com eletricidade.

Mesmo cabos novos podem apresentar defeitos difíceis de serem detectados a olho nu. Um pequeno furo ou rachadura no cabo permitem que todo o piso molhado seja eletrificado e neste caso a corrente poderá passar pelas suas pernas e corpo.

Mandamentos de segurança:

Apenas profissionais habilitados e com ferramental adequado podem efetuar reparos em equipamentos energizados.
A substituição de uma lâmpada pode expor a pessoa ao risco de choque elétrico. Sempre aconselhamos o desligamento da energia elétrica em qualquer ação corretiva em equipamentos elétricos.
Faça o aterramento dos eletrodomésticos sempre que solicitados pelos fabricantes. E nunca no neutro, mas em um terra confiável.
Muito cuidado com o uso de conectores tipo "T” em residências. O excesso de corrente pode danificar cabos e o próprio conector por elevação da temperatura.
Não use fios emendados, velhos ou danificados.
Não utilize eletrodomésticos estando descalço, principalmente se o chão estiver molhado.
Um grande risco menosprezado pelas mulheres está nas famosas “chapinhas” ou com secadores de cabelo que nunca devem ser usados com os pés descalços. Também ao passar roupas, nunca fazê-lo com os pés descalços.
Não desligue um eletrodoméstico da tomada puxando pelo fio, sempre use o plugue.
EM residências com crianças e especialmente com bebes, devem ter todas as tomadas protegidas contra o contato acidental. A curiosidade infantil é uma das maiores causas de choques elétricos residenciais.
Muito cuidado com o chuveiro elétrico, é importante que a instalação seja feita de maneira correta, com o fio terra do equipamento conectado diretamente ao aterramento da residência. Conectá-lo em pregos na parede do banheiro, no fio neutro ou no cano d'água são procedimentos perigosos. Além disso, não mude a chave de regulagem da temperatura enquanto toma banho, pois se houver vazamento de corrente elétrica, o risco de levar um choque fatal é muito grande.
Cuidado com cercas elétricas. As mesmas devem ser instaladas por pessoal competente e conhecedor das normas de proteção.
98,4% das residências não possuem o dispositivo DR instalado, que é um elemento obrigatório desde 1997 e fundamental para a proteção das pessoas contra os perigos resultantes dos choques elétricos.


Primeiros Socorros à Vítima de Choque Elétrico

As chances de salvamento da vítima de choque elétrico diminuem com o passar de alguns minutos, pesquisas mostram que uma pessoa que sofra perda de sentidos com o choque elétricos e atendida corretamente 1 minuto após o choque grave tem 95% de chances de sobrevida. 6 minutos depois suas chances serão menores que 1%.

Por não ser minha área de experiência, vou evitar detalhar formas de primeiro socorro à vitimas, mas recomendo a todos que consultem profissionais de saúde para conhecerem os procedimentos corretos de reanimação. Jamais sabemos se teremos necessidade de salvar a vida de um amigo ou familiar.

O mais importante, antes dos procedimentos de respiração artificial e reanimação, é não tocar o corpo da vítima antes de livrá-la da corrente elétrica, com a máxima segurança possível e a máxima rapidez, nunca use as mãos ou qualquer objeto metálico ou molhado para interromper um circuito ou afastar um fio.

O ultimo e maior dos mitos:

Quando uma pessoa morre de algum acidente tipo choque elétrico, morreu porque chegou sua hora ou foi um acidente ?
Não sei se vale esta discussão. Não existe acaso, não existe sorte, não existem acidentes.
[A vida é perfeita demais para isso].
Mas, ao mesmo tempo, todos nós temos livre-arbítrio e somos responsáveis pelos nossos atos.
O que faz com que tudo se encaixe perfeitamente, sem nenhuma brecha de erro, é sem duvida Deus.

Luis Henrique Lourenço de Camargo
Batatais - SP
Publicada em 04/03/2011.

 *Post retirado do blog Vicvin Projetos Elétricos (http://vicvinprojetos.blogspot.com.br/) em 01/06/12.

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